Artigo

NOVO COMBUSTÍVEL

 

Francisco Habermann         

Com tantos acontecimentos mexendo com a vida do nosso povo, penso num novo combustível.

Se o professor fosse o transportador ( ele é mais que isso, claro ) e a educação fosse entendida como combustível do ser humano, poderíamos ensaiar uma inversão.

Se os professores paralisassem o ensino no país, em todos os níveis, pelo novo combustível, será que produziriam um caos qual vimos recentemente? Ninguém iria reclamar? A voz previsível seria: ‘oba, não teremos aula’. Sem caos, portanto.

Num país onde poucos dão importância ao estudo ( ai entra o novo combustível ), com certeza, não iríamos à grita e nem, por isso, bloquearíamos as estradas do conhecimento ou o abastecimento intelectual.

Se tivéssemos a consciência do valor desse novo combustível, sairíamos em defesa até do eventual aumento dos derivados de petróleo na bomba ( que é uma necessidade imperiosa até acabar ) para cobrir a falta de verba naqueles outros setores. Só por essa consciência nacional os professores já se sentiriam compensados na sua profissão ímpar.

Vale recordar que esse profissional é de fundamental importância em qualquer nação civilizada. No Japão, o professor é o único cidadão nipônico dispensado das deferências respeitosas ao imperador. O imperador é que se inclina diante do mestre.

Enquanto isso, estamos aqui a fazer descontos invertidos ( sem negar a justiça das reivindicações ) mas sem entender os equívocos em que estamos nos afundando cada vez mais. Uma derrocada há muito prevista até em música.

A atitude de simples expectadores no carnaval da enganosa situação já foi cantada no samba de Francis Hime e C. Buarque ( Vai Passar, 1983 ): “Das nossas novas gerações /
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída / Sem perceber que era subtraída / Em tenebrosas transações”.

No Brasil, verdadeiro hospital acolhedor de tantos doentes que somos, acometidos pelo vírus nacional que não nos deixa enxergar nada mais que vantagem própria, permanecemos longe de objetivos maiores na vida coletiva, especialmente perante as gerações futuras.

Que dirão elas de nossas inversões equivocadas atuais?

 

fhaber@uol.com.br

 

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