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Gol G3: a história do sucessor do “bolinha” que chegou em 1999

Notícias Automotivas

 

Talvez você discorde sobre o quesito beleza, mas a verdade é que o Gol G3 foi um acerto da Volkswagen. E, pelo menos no início, havia uma forte dúvida se isso realmente aconteceria, já que o modelo anterior, o famoso Gol “bolinha”, ainda estava se saindo muito bem nas vendas.

 

Gol G3 – detalhes

Você acha que seria correto dizer que o Gol G3 foi uma das gerações mais bem sucedidas na história do modelo? Independentemente dos fatores que você leve em conta para responder essa pergunta, essa frase certamente estaria incorreta.

 

O motivo disso não está no sucesso da geração em si, mas sim em chamá-la de “geração”. A verdade é que, tecnicamente, o Volkswagen Gol só teve 3 gerações até hoje, e cada uma delas teve algumas reestilizações.

 

Para entender melhor, montamos uma linha do tempo que resume a vida do Gol no mercado brasileiro. Vale lembrar que os anos citados não mostram quando o modelo realmente saiu de linha, mas apenas quando houve uma mudança de geração. Como todos sabem, a VW costumava vender o modelo anterior por algum tempo, como um veículo de entrada.

 

Veja abaixo exatamente quando surgiu cada geração (e reestilização) do VW Gol:

 

Gol Geração 1 – 1980 a 1994

 

1ª reestilização – 1987

2ª reestilização – 1991

Gol Geração 2 – 1994 a 2003

 

1ª reestilização (Gol G3) – 1999

2ª reestilização (Gol G4) – 2005

Gol Geração 3 (Gol G5) – 2008 até hoje (atualmente, como Gol G7)

 

1ª reestilização (Gol G6 ou Novo Gol) – 2012

2ª reestilização (Gol G7) – 2016

Perceba que foi apenas na primeira reestilização da segunda geração que o Gol passou a ser chamado de Gol G3, Gol G4 e assim por diante. E isso foi, na verdade, uma jogada de marketing da própria Volkswagen. Na propaganda de lançamento do modelo com facelift, em 1999, ela chamou seu popular de “Geração III”.

 

O fato é que isso realmente tornou mais fácil diferenciar os modelos, e também acabou sendo uma maneira de vender o carro. Em 2012, ao lançar o Gol com algumas mudanças visuais, a VW tentou acabar com a história, se referindo a ele como “Novo Gol”. Mas não adiantou, pois muitos dos próprios concessionários da marca continuaram dizendo que este seria o Gol G6. E se é difícil mudar isso nos vendedores, imagine na cabeça do público em geral.

 

Resumindo, o Gol G3, assunto principal dessa matéria, na verdade foi a primeira mudança significativa na segunda geração, e não uma nova geração em si. Mas para ficar mais fácil, e usar o termo que a maioria das pessoas usa, vamos nos referir ao modelo como Gol G3.

 

Como dito anteriormente, essa foi uma das gerações (sim, vamos nos referir ao Gol G3 como uma geração à parte) que mais agradou ao mercado. E para entender o porquê, vamos voltar um pouco mais no tempo.

 

O bolinha era melhor que o quadrado

Gol G3: a história do sucessor do "bolinha" que chegou em 1999  

 

Conhecida por manter as gerações do Gol por bastante tempo no mercado, a Volkswagen sabia que precisava atualizar seu principal modelo se quisesse continuar enfrentando bem a concorrência. E foi isso o que ela fez em 1994, quando apresentou o que ficou conhecido como Gol “bolinha”.

 

As novidades do popular foram bem aceitas pelo público. Talvez isso tenha acontecido mais pelo projeto antiquado do modelo anterior, o Gol “quadrado”, do que pelas qualidades do atual. A plataforma era a mesma do anterior, o motor continuava longitudinal e os pedais levemente deslocados para a esquerda.

 

Apesar disso, e das reclamações de alguns saudosistas em relação ao lançamento, o Gol “bolinha” realmente era melhor em alguns aspectos. Era um carro mais moderno (tanto no visual como nos equipamentos), a vida dos ocupantes era superior em relação ao conforto e o carro tinha o que todos sempre querem: era uma novidade.

 

Pouco tempo depois, o visual acabou afetando outros modelos na linha da Volkswagen, como a Parati (atualizada em 1996) e a Saveiro (1997). Além disso, a marca alemã mantinha seu carro interessante por colocar à disposição várias versões, como a tão querida GTI e sua famosa bolha no capô, na versão 16V. Parecia que tudo estava bem, e nenhuma alteração era necessária. Ou não?

 

Gol G3 chega de surpresa e também agrada

Gol G3: a história do sucessor do "bolinha" que chegou em 1999  

 

É verdade que o chamado Gol G3 não foi uma nova geração, mas também não podemos dizer que ele era apenas um modelo com leves alterações visuais.

 

Em seu lançamento ficou claro que a VW decidiu mudar a cara do Gol, tanto na aparência externa, como no interior. O visual ficou mais sóbrio e harmônico, mostrando que as mudanças realmente foram pontuais e bem pensadas.

 

Na dianteira, o Gol ganhou novos faróis e grade, um novo friso e novo para-choque. A traseira também recebeu novas lanternas, enquanto na lateral era possível ver um novo conjunto de rodas ou calotas. Já o interior tinha os pontos mais elogiados, pois havia sido quase totalmente reformulado.

 

Além disso, a qualidade do carro no geral foi melhorada. Os painéis da carroceria tinha menos folgas nas junções e um reforço estrutural que minimizava as torções do monobloco. O Gol G3 também foi o primeiro carro no Brasil a oferecer cinco anos de garantia contra corrosão.

 

Outra enorme mudança trazida pelo Gol G3 foi a mudança na nomenclatura das versões. O modelo deixou de lado os nomes CL, GL e outros, e passou a adotar pacotes opcionais (Básico, Luxo, Conforto e Estilo) que valiam para todas as motorizações. Ou seja, era possível ver um Gol 1.0 com mais equipamentos do que um modelo 1.8 ou 2.0.

 

Por falar nos motores, a linha do Gol G3 tinha várias opções. Elas partiam das mais mansas 1.0 (8V ou 16V), passavam pelas intermediárias 1.6 gasolina ou 1.6 álcool, e terminavam nas mais potentes 1.8 e 2.0 (também com a opção de 8V ou 16V). A versão GTI também continuava, agora atualizada e com 145 cv.

 

Gol G3 – novidades com o passar do tempo

Gol G3: a história do sucessor do "bolinha" que chegou em 1999  

 

Como nas gerações anteriores, a Volkswagen continuava lançando novidades que mantinham o Gol G3 como um carro interessante, e para todos os gostos.

 

Uma das maiores novidades foi a chegada da versão 1.0 16V Turbo, em 2001. O modelo tinha um motor com comando de válvulas variável, entregando 112 cv e 15,8 kgfm de torque. Isso era suficiente para levá-lo de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e a uma velocidade máxima de 192 km/h.

 

Depois disso, em 2002, o Gol recebeu pequenas alterações visuais, que incluíam novos para-choques e grade. O restante da família, por assim dizer, também foi levemente atualizada: além dessas mudanças na dianteira, Parati e Saveiro receberam novas lanternas e nova tampa do porta-malas (ou caçamba).

 

Um carro que pode rodar com álcool ou gasolina

Até 2003, a compra de um carro não se limitava a escolher apenas modelo, motorização ou equipamentos. Envolvia também decidir se você iria abastecer com álcool ou gasolina.

 

Foi nesse ano que o Gol trouxe ao cenário automotivo brasileiro uma grande inovação: a versão Total Flex. Ela estava presente primeiro no Gol Power 1.6, fazendo com que esse modelo pudesse rodar com álcool, gasolina ou qualquer mistura dos dois combustíveis. E não era preciso apertar algum botão para fazer isso, como muitos pensavam.

 

A tecnologia, disponibilizada pela Magneti Marelli para a VW, não custava tão caro para o consumidor final. Enquanto o Gol 1.6 a gasolina saía por R$ 25.905 na época, o Gol Power 1.6 Total Flex custava R$ 26.855. Levando em conta a inovação dessa tecnologia, os R$ 950 a mais não representavam tanto. No final, o Gol Total Flex nessa versão Power 1.6 rendia 97 cv e 14 kgfm de torque com gasolina e 99 cv e 14,3 kgfm com álcool.

 

Outro modelo que foi um capítulo à parte na história do Gol G3 foi a versão esportiva (de verdade) GTI. Considerado por muitos o melhor Gol de todos os tempos, esse modelo tinha um motor AP 2.0 que entregava ótimos 153 cv brutos e 18,5 kgfm de torque. O tempo de 0 a 100 km/h era de respeitáveis 8,7 segundos, assim como a velocidade máxima, na casa dos 206 km/h.

 

Mas o que levou um carro tão bom a sair de linha? Um dos motivos era a maneira como a VW vendia o Gol. Como já explicado acima, não haviam mais as antigas versões, e sim os pacotes de acabamento. Ou seja, você poderia comprar o Gol GTI e, ao parar num semáforo, ver ao seu lado um Gol 1.0 com o mesmo nível de equipamentos e visual.

 

Isso acabou tirando o charme do modelo. Prova de que essa tática não era das melhores é a linha da própria VW hoje, onde versões apimentadas (como Golf GTI e o pequeno up! TSI) tem diferenças visuais mais claras em relação a outras versões.

 

As muitas séries especiais do Gol G3

Gol G3: a história do sucessor do "bolinha" que chegou em 1999  

 

Não é novidade pra ninguém que os carros da Volkswagen costumam ter várias edições ou séries especiais, e não foi diferente com o Gol G3.

 

A primeira delas foi a Série Ouro, lançada em 2000, em alusão aos Jogos Olímpicos. Ela era baseada no Gol 1.0 16V, e podia ter duas ou quatro portas. Entre os equipamentos havia o painel de instrumentos na cor preta, direção hidráulica, acelerador eletrônico, porta-copos e porta-objetos no console central, vidros verdes escurecidos, antena no teto e aerofólio, além de adesivos nas laterais.

 

Gol G3: a história do sucessor do "bolinha" que chegou em 1999  

 

Outro evento que foi usado pela VW para lançar uma série especial do Gol G3 foi a Copa do Mundo de 2002, que originou a versão Sport. O modelo, que também tinha motor 1.0 16V, vinha com banco do motorista com regulagem de altura, CD Player, acelerador eletrônico, faróis com duplo defletor e máscara negra, lanternas fumê, faróis e lanternas de neblina, aerofólio e grade dianteira na cor do carro e antena no teto.

 

Outras séries se concentraram na cor da carroceria. Esse foi o caso da edição Fun, que tinha cores vivas, máscaras dos faróis na cor do veículo, faróis de neblina e rodas de 14 polegadas. Já a série especial Highway vinha numa cor verde que fazia a tonalidade variar, dependendo da luz.

 

Fechando a lista de edições especiais, o Gol G3 ainda foi disponibilizado nas séries City e City Total Flex, lançadas em 2004, e a Rallye, que tinha suspensão elevada e rodas de liga leve, com motor 1.8 8V.

 

Gol G3 – versões

Volkswagen Gol G3 1.0 8V

Volkswagen Gol G3 1.0 16V

Volkswagen Gol G3 1.0 16V Turbo

Volkswagen Gol G3 1.6 gasolina

Volkswagen Gol G3 1.6 álcool

Volkswagen Gol G3 1.8

Volkswagen Gol G3 GTI 2.0 16V

Volkswagen Gol G3 1.0 Fun

Volkswagen Gol G3 1.0 Highway

Volkswagen Gol G3 1.0 Sport

Volkswagen Gol G3 Série Ouro

(Todas as versões acima tinha as opções de acabamento Básico, Luxo, Conforto e Estilo)

 

Gol G3 – preço

Volkswagen Gol G3 1.0 8V – de R$ 9.458 (2000) a R$ 11.984 (2003)

Volkswagen Gol G3 1.0 16V- de R$ 8.915 (2000) a R$ 12.819 (2005)

Volkswagen Gol G3 1.0 16V Turbo – de R$ 11.308 (2000) a R$ 15.252 (2003)

Volkswagen Gol G3 1.6 gasolina – de R$ 10.943 (2000) a R$ 14.451 (2003)

Volkswagen Gol G3 1.6 álcool – R$ 10.628 (2000) a R$ 14.536 (2003)

Volkswagen Gol G3 1.8 – de R$ 12.354 (2000) a R$ 17.014 (2004)

Volkswagen Gol G3 GTI 2.0 16V – de R$ 16.851 (1999) a R$ 22.521 (2000)

Volkswagen Gol G3 1.0 Fun/Highway/Sport – de R$ 10.691 (2001) a R$ 12.092 (2003)

Volkswagen Gol G3 Série Ouro – de R$ 8.606 (1999) a R$ 11.367 (2002)

Gol G3 – câmbio, motor e desempenho

A linha de motores do Gol G3 era extensa e tinha, entre tantas opções, algumas convencionais e outras que marcaram época. No primeiro grupo estão os propulsores 1.0 8V, 1.0 16V, 1.6 (gasolina ou álcool) e 1.8.

 

No caso dos motores básicos, a opção 1.0 8V tinha 57 cv e 8,6 kgfm de torque, e estava associada a uma transmissão manual de cinco marchas. O desempenho não era empolgante, com um tempo de 0 a 100 km/h na casa dos 17,4 segundos, e velocidade máxima de apenas 147 km/h.

 

Já o motor 1.0 16V tinha um desempenho um pouco melhor, graças aos seus 76 cv e 9,7 kgfm de torque, com o mesmo câmbio de cinco marchas. A aceleração de 0 a 100 km/h era feita em 13,7 segundos e a velocidade máxima era de 168 km/h.

 

No caso do Gol G3 1.6, primeiro temos o motor abastecido apenas a gasolina. Ele rendia 92 cv e tinha 13,8 kgfm de torque, chegando aos 100 km/h em 11,8 segundos. Sua velocidade máxima era de 177 km/h. Depois de um tempo, a VW lançou o Gol 1.6 com motor Total Flex, e ele foi atualizado para ter um desempenho melhor.

 

Com essa opção, o Gol G3 tinha 97 cv com gasolina e 99 cv com álcool, enquanto o torque era de 14/14,3 kgfm, respectivamente. O melhor desempenho, quando abastecido com álcool, o fazia ir de 0 a 100 km/h em 11,2 segundos, antes de chegar ao limite de 184 km/h.

 

Por último na lista dos motores convencionais temos a opção de 1,8 litro, que rendia 99 cv e 15,5 kgfm de torque. Também com câmbio manual de cinco marchas, esse conjunto levava o Gol G3 aos 100 km/h em 11,4 segundos, com velocidade máxima de 179 km/h.

 

Motores das versões esportivas

Num outro grupo, por tudo que representaram na linha do Gol G3, podemos colocar os dois motores mais divertidos que o modelo tinha a oferecer.

 

O primeiro era o 1.0 16V Turbo, que foi o primeiro modelo turbo produzido em grande escala no Brasil. Seu desempenho era de dar inveja a modelos 1.6 e 1.8, chegando a incomodar até alguns 2.0, pois eram 112 cv e 15,8 kgfm de torque (disponíveis logo aos 2.000 giros).

 

Isso era capaz de levar o carro de pouco mais de 1 tonelada aos 100 km/h em apenas 9,5 segundos. Impressionante também era sua velocidade máxima, de 192 km/h.

 

Outro ícone na linha dos motores do Gol G3, talvez o maior deles, foi o propulsor 2.0 16V que equipava o Gol GTI. Ele tinha 145 cv (153 cv brutos) e 18,5 kgfm de torque. Os números, é claro, estavam acima do modelo 1.0 turbo: 8,7 segundos de 0 a 100 km/h e 206 km/h de velocidade máxima.

 

Gol G3 – consumo

Gol G3: a história do sucessor do "bolinha" que chegou em 1999  

 

O consumo de combustível sempre foi um fator importante na compra de um carro, especialmente se ele estiver no grupo dos populares 1.0. No caso dos modelos do Gol (tanto 8V, como 16V), o que se via era um consumo urbano de 13,4 km/l, enquanto na estrada ele ficava em 17,4 km/l (números divulgados pela marca).

 

O outro 1.0 da linha, que era turbinado, tinha um consumo um pouco abaixo. Suas médias eram de 11,5 km/l na cidade e 16,5 km/l na estrada, números muito bons quando levamos em conta o custo/benefício.

 

Um ponto importante quando falamos sobre o consumo do Gol G3 foi o lançamento da versão Total Flex, que finalmente deu a opção de escolher o combustível aos proprietários do modelo. Na época, o consumo divulgado era de 7,1 km/l (A) e 10,4 km/l (G) na cidade e 9,4 km/l (A) e 13,7 km/l (G) na estrada.

 

O modelo mais potente da turma, o Gol GTI, tinha médias de 9,3 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada, sempre abastecido com gasolina.

 

Gol G3 – manutenção e revisão

O custo de manutenção do Volkswagen Gol G3 é tido como baixo, e as peças são muito fáceis de encontrar. Apesar disso, existem relatos na internet sobre problemas comuns que os donos desse modelo acabam tendo.

 

Um deles é um súbito desligamento do motor ao fazer uma desaceleração, um problema provavelmente provocado pelo acúmulo de sujeira no corpo da borboleta. Outro defeito recorrente é na aceleração, fazendo o motor não passar de 2.500 rpm ou ficar muito acelerado.

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