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Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Notícia Automotivas

O hatch compacto é o carro mais vendido da história no país e atualmente é um dos carros mais emplacados, dividindo os cinco primeiros lugares com o irmão Polo, que chegou recentemente para se tornar o futuro líder da marca por aqui.

Essa atualização para o modelo chamado Gol G6 ocorreu para manter o compacto lançado em 2008 em dia com o portfólio global da VW, mas não durou significativamente muito, apenas quatro anos.

O Gol, como um projeto de engenharia automotiva, já conta com 10 anos na atual geração (vista pelo mercado como Gol G5, Gol G6 e Gol G7), que mudou completamente o produto que os brasileiros conheciam.

Lançado originalmente em 1980, o Volkswagen Gol surgiu para substituir a Brasília, um compacto que nasceu a partir do chassi do Fusca em 1973. O hatch compacto foi o primeiro de uma família de quatro membros, da qual surgiu o sedã Voyage, a perua Parati e a picape leve Saveiro.

O modelo apareceu com grandes pretensões, mas não foi sucesso de cara, visto que a VW utilizou tecnologia antiga.

Isso se configurou no motor 1300 a ar colocado na dianteira e com um câmbio de quatro marchas, que fez o produto ter desempenho muito ruim. Nem mesmo um motor 1600 a ar foi suficiente para converter o Gol é um produto de sucesso e passaram-se quatro anos até que o Gol GT 1.8 erguesse a imagem do carro, o que chamou a atenção do público.

Em 1987, na primeira atualização, se tornou líder de mercado e de lá não saiu durantes os 27 anos seguintes. Com muito tempo já sem motor a ar, o Volkswagen Gol se apoiou no famoso motor AP 1.6 ou 1.8, que o manteve no topo sem rivais para assombra-lo.

O Gol GTI foi o primeiro com injeção eletrônica no Brasil.  Chegou a ter motor Ford CHT (AE) 1.6 e também 1.0, no famoso Gol 1000.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Nessa mesma época, o Volkswagen Gol finalmente ganhou sua segunda geração, o chamado “Gol Bolinha”, por ter carroceria com linhas ampliadas e arredondadas. Mas, a arquitetura de motor e câmbio longitudinal permaneceu.

Nessa época o compacto teve sua melhor fase, chegando a ter versão GTI com motor 2.0 de 146 cavalos. De 1994 a 1998, o modelo não teve atualização.

Mas, em 1999, surgiu o chamado “Gol G3“, que nada mais era que uma renovação visual bem profunda do produto, que se tornou mais bem acabado e equipamento, chegou a ter o primeiro downsizing que se viu no Brasil com a versão 1.0 16V Turbo de 112 cavalos.

Só pecou por não ter câmbio automático. Foi nesse G3 que o mundo viu nascer a tecnologia TotalFlex, unindo gasolina e etanol.

Essa segunda geração do Gol continuou a servir bem à VW, mas com a chegada do Polo, o modelo deveria ficar mais simples e assim surgiu o chamado Gol G4, uma segunda atualização dessa geração “bolinha” em 2005.

Perdendo a qualidade do G3, o best seller da Volkswagen mergulhou na simplicidade até 2008, quando finalmente surgiu a terceira geração, chamada de Gol G5.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Um Gol diferente

Uma característica que todo o brasileiro conhecia sobre o Gol era sua plataforma com motor e câmbio em longitudinal, ainda fruto de um pensamento da VWB dos anos 70. Mudar isso parecia arriscado, mas foi feito.

Em 2008, o G5 trocou a plataforma AB9 (derivada da BX) pela PQ24 modificada e simplificada. Pela primeira vez na história, o modelo passou a ter conjunto motriz em transversal.

Com essa geração ressurgiu o Voyage, morto nos anos 90, mas Saveiro e Parati continuaram na base anterior. O Gol G5 era completamente diferente em estilo e engenharia, mas rapidamente alcançou o sucesso.

Ainda hoje é a geração mais jovem do clássico nacional, visto que a primeira durou 14 anos e a segunda ficou 19 anos em vendas.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Equipado com motores EA111 1.0 e 1.6, usados desde o G4, o Gol foi seguindo seu caminho, apoiado pela versão G4, que era barata o suficiente para mante-lo como líder. Embora ainda tivesse alguns detalhes de baixo custo, o Volkswagen Gol G5 era um carro bem superior à geração anterior e isso realmente fez com que a VW partisse para uma atualização rápida para torna-lo ainda melhor.

Nessas alturas do campeonato, o Gol já sofria a pressão do Palio, que desde os anos 90 tinha pretensão de tirar o título do Volkswagen. Para deter o Fiat, surgiu então a segunda atualização da terceira geração, o Gol G6.

Esta, que é motivo deste artigo, infelizmente fracassou na missão de manter o famoso hatch na liderança de mercado.

Um ano após seu lançamento, em 2013, a VW colocava um fim aos 34 nos de motorização longitudinal em compactos da marca no Brasil, chegando ao fim o Gol G4. No ano anterior, o Gol G6 veria dois novos oponentes surgirem e estes já chegavam com enorme peso: Chevrolet Onix e Hyundai HB20.

Seriam eles que mais tarde assumiriam a liderança e a segunda posição no Brasil. O G5 foi o primeiro com câmbio automatizado ASG na versão I-Motion.

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Gol G6

Com linhas que lembram o Golf, o Gol G6 foi uma resposta aos recentes lançamentos da GM e Hyundai, mas acima de tudo, tinha a missão de barrar o Palio, que avançava rapidamente. Dotado de frente com faróis duplos e formas mais retilíneas, a atualização mexia também com os para-choques, mas se concentrou principalmente na traseira, ganhando lanternas mais compactas.

Com cortes abruptos, essas novas lentes obrigaram a um redesenho da tampa traseira. Chamado oficialmente pela VW de “Novo Gol”, o Gol G6 em realidade só ficou conhecido como G6 por causa dos concessionários, que usaram essa designação como marketing para vender uma geração nova, sendo em realidade apenas mais uma atualização do modelo.

Por causa do Inovar-Auto, programa automotivo nacional com metas de redução de consumo e emissão, a Volkswagen recalibrou os motores EA111.

Assim chamou o 1.0 de VHT “Tec”, que rendia 72 cavalos na gasolina e 76 cavalos no etanol a 5.250 rpm, bem como torque de 9,7 kgfm no derivado de petróleo e 10,6 kgfm no subproduto da cana-de-açúcar. Esses eram obtidos a 3.850 rpm.

No caso do 1.6, o EA111 VHT entregava 101 cavalos na gasolina e 104 cavalos no etanol, ambos a 5.250 rpm, mas com 15,4 kgfm no primeiro e 15,6 kgfm no segundos, obtidos em ótimos 2.500 rpm.

Era a primeira vez que um motor 1.6 da VW superava o antigo 1600 a ar em torque máximo na rotação mais baixa. Esse motor do Gol G6 é considerado tão bom que se mantém ainda no chamado G7.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Duas portas

O Gol G5 foi o primeiro a não ter opção de duas portas, algo que continuou a ser oferecido no G4 e que sempre fez parte da história do modelo. Por ter sido um “Gol diferente”, essa terceira geração deixou quem precisa de somente duas entradas e os entusiastas.

Então, no final de 2012, a Volkswagen lançou o Gol G6 com duas portas, mas apenas na versão de acesso, a Trendline.

O Gol G6 duas portas foi uma opção interessante e que trouxe até mais estilo ao hatch famoso, mas mesmo essa opção, que viria suprir em parte a ausência do Gol G4, acabou não durando muito mais tempo, tendo desaparecido por completo no G7.

Com o fim do G4, que não podia mais portar airbags e freios ABS, o Gol G6 com duas entradas passou a ser a oferta mais em conta desse Volkswagen.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Opções variadas

O Gol G6 surgiu com algumas versões interessantes, entre elas Trendline, Comfortline, Highline, Power, Track e Rallye, sem contar a série especial Seleção, alusiva à Copa do Mundo de 2014. O hatch da Volkswagen ainda se valia do Gol G4 com sua versão Ecomotion como opção mais em conta, que no final somava as vendas e mantinha o modelo em boa posição.

Com exceção das versões Highline e Rallye, as demais versões do Gol G6 tinham opção do motor EA111 1.0 VHT Tec, sendo uma oferta interessante pelo custo menor e pela frugalidade no meio urbano. O motor EA111 1.6 VHT era utilizado nas versões Trendline, Comfortline, Power e Highline.

Porém, a versão Rallye teve uma mudança importante em termos de motorização, mas não imediatamente.

A versão aventureira Rallye do Gol G6 de início era equipada com o motor EA111 1.6 VHT de até 104 cavalos, mas na linha 2015, o mesmo foi substituído pelo EA211 1.6. Esse propulsor também equipou o Voyage na mesma época, na chamada versão Evidence, assim como a Saveiro Cross.

No caso do Gol, a opção se dava apenas na opção focada em fora de estrada, mas a ideia era ser mais visual do que propriamente algo funcional.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Com cabeçote de 16 válvulas, o EA211 vinha também com coletor de escape integrado ao conjunto e melhor engenharia em relação ao mais antigo. O propulsor entrega 110 cavalos na gasolina e 120 cavalos no etanol a 5.750 rpm, além de 15,8 kgfm no primeiro e 16,8 kgfm no segundo, ambos a 4.000 rpm.

Junto com esse propulsor, que fazia o Gol G6 Rallye ir de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e velocidade máxima de 190 km/h, o modelo manteve o câmbio manual de cinco marchas.

O Gol Track era uma versão aventureira mais polida, simples e barata que a Rallye, tendo motor 1.0 de até 76 cavalos e desempenho suficiente para alguma diversão no fora de estrada, onde a suspensão robusta e elevada em 23 mm, mas com a exclusividade de ter pneus de uso misto, o que favorecia bem sua condução em terra.

O visual era mais simples, mas havia rodas de liga leve opcionais, faixas decorativas, faróis e lanternas escurecidos, entre outros. O acabamento interno era escuro e os bancos tinham boa padronagem, mas tinha opcionais demais, o que incluía até o ar-condicionado e o sistema de áudio.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

No caso do Gol Rallye, o visual era mais esportivo e elaborado, ganhando frente com para-choque inspirado na Saveiro Cross e dotado de grandes faróis de neblina. Havia também protetor central e logotipo Rallye na grade, que era exclusiva, assim como as rodas de liga leve e faixas decorativas laterais.

Havia também protetores cinza nas laterais e no para-choque traseiro. Faróis e lanternas eram escurecidas, enquanto a suspensão era elevada em 28 mm a mais que o padrão.

No interior, bancos personalizados com opção de couro Native, além de acabamento preto em portas, painel, colunas e teto. Vinha com volante multifuncional, paddle shifts, sistema de áudio com Bluetooth e USB, além de SD Card.

Havia airbag duplo e freios ABS, itens já obrigatórios por lei na época.

A versão especial Seleção do Gol G6 tinha motores 1.0 ou 1.6 e vinha numa cor amarela muito chamativa, mas bem atraente. Com rodas de liga leve aro 15 polegadas e alguns itens de série, essa opção limitada manteve o espírito do Gol em relação ao futebol.

Na gama mais alta, a versão Highline surgiu para sobrepujar a Power, adicionando como itens de série os opcionais deste último. Era uma versão mais elaborada do Gol G6.

Já as opções Trendline e Comfortline eram mais simples e dedicadas ao grande público. Eram menos equipadas e por isso suscetíveis aos inúmeros opcionais, que as deixavam bem caras no final das contas.

Apesar do bom visual exterior, o Gol G6 pecava por manter o mesmo interior do G5 de 2008, com os difusores de ar circulares e acabamento simplificado. O volante simples (sem comandos satélites) então, era bem pior.

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Câmbio I-Motion

O câmbio automatizado I-Motion era uma oferta nas versões Comfortline, Highline, Power e Rallye do Gol G6, sendo um dispositivo eletromecânico que foi desenvolvido pela Magneti Marelli, sendo a mesma tecnologia empregada pela Fiat, mas sem algumas funcionalidades a mais, exclusivas da marca italiana.

O sistema automatizado foi uma opção de baixo custo para que o Gol pudesse oferecer mais conforto ao dirigir.

Porém, o dispositivo eletromecânico precisa acionar o disco de embreagem, visto que se trata de um câmbio mecânico com automação. Assim, quando o dispositivo é acionado, há um corte no fornecimento de força e consequente perda de tração, esse buraco é bem incômodo para quem não está acostumado com câmbio automatizado.

Fora essa característica, o sistema ASG permite ainda que as marchas possam ser trocadas manualmente na alavanca ou através de borboletas no volante. Havia também o modo Sport, para esticar as trocas de marcha e permitir melhor condução, assim como reduzir os buracos nas trocas.

O Gol G6 se aproveitou bem desse sistema durante todo seu tempo de mercado, mas assim como no Fiat Palio, essa tecnologia não era bem vista pelo consumidor que começou a procurar na concorrência e encontrou o Chevrolet Onix, que acabaria liderando o mercado pouco depois.

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Atualização do G6

Com as vendas não correspondendo mais aos novos rivais, um velho concorrente conseguiu o feito de quebrar a longa carreira do best seller nacional, pois o Gol já havia quebrado o recorde de liderança do Fusca e também seu volume de vendas.

A Fiat fez a maior festa para celebrar a primeira posição do Palio.

Para piorar as coisas para a VW, um ano antes (2013), perdia a Kombi, o utilitário mais emblemático da história automotiva nacional e já se preparava para o fim certo do Polo, outro produto bom que estava em fim de carreira.

Mesmo com os reforços no Gol G6, a marca via a liderança se distanciar cada vez mais. Como bicho papão, o Onix rapidamente acabou com a festa do Palio em 2015 e assumiu a ponta para até agora não largar mais.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Já sem Polo, a Volkswagen resolveu então atualizar o Gol G6 com um novo interior em 2016. Mais uma vez a Volkswagen não falava de geração, mas o mercado queria uma resposta da marca e por isso apelidou o carro atual de “G7”.

Desta vez, o estilo exterior foi mantido, ganhando retoques nos para-choques. As lanternas traseiras ganharam elementos em 3D e os faróis passaram a ser escurecidos de fábrica. A ideia era faze-lo ficar mais próximo do Golf.

Mas, o foco mesmo era o interior. O painel foi completamente refeito, ganhando injeção de plástico texturizado com acabamento superior, assim como mudanças nos difusores de ar e console.

Mas, a grande novidade foi a introdução de multimídia no Gol, algo que só estava disponível nos modelos maiores. A Discover Media trazia praticamente tudo, incluindo navegador GPS integrado.

Gol G6: a atualização visual de 2012 feita para barrar o Palio

Sistemas Google Android Auto e Apple Car Play foram adicionados junto com o espelhamento MirrorLink. A conectividade a bordo do Gol G6 foi ampliada de tal forma que o carro podia servir de hot spot para diversos aparelhos móveis conectados.

Outro ponto era o suporte de celular no painel, que dava mais liberdade de movimento ao condutor. O volante era o mesmo do Golf nas versões mais caras. Mas, as mudanças chegaram tarde demais, pois o Onix já estava inalcançável na ocasião.

De quebra, a VW introduz no Gol pela primeira vez em sua história um motor de três cilindros, o EA211 1.0 MPI, que substituiu o antigo EA111 1.0 VHT Tec. Com 75 cavalos na gasolina e 82 cavalos no etanol, o propulsor veio com torque máxima a 3.000 rpm, sendo este 9,7 ou 10,4 kgfm, respectivamente.

Mesmo não tendo o mesmo pico de força do anterior, no geral é superior em performance e economia. O pequeno motor de três cilindros em alumínio tem dois sistemas de refrigeração separados e coletor de escape integrado ao cabeçote, que tem duplo comando de válvulas variável.

O Gol G6 atualizado ainda viu o Gol Track ganhar a frente da Saveiro reestilizada, mas perdeu muitas opções em prol de outro carro, o Novo Polo. Em breve, entretanto, teremos câmbio automático pela primeira vez no Gol.

 

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