Esporte

São-carlense Dayane Ellen é vice-campeã com o Brasil no Mundial universitário de handebol

 

 

 

Abner Amiel/Folha São Carlos e Região

 

A jovem são-carlense Dayane Ellen, de 24 anos, participou do elenco da Seleção Brasileiro de handebol que conquistou no último domingo (5) o vice-campeonato do Mundial universitário, na cidade croata de Rijeka. O Brasil perdeu para o Japão por 27 a 19, mas a vitória foi considera um alívio tendo em vista que o handebol brasileiro ficou de fora do Mundial Sub-18 feminino devido a problemas que envolveram a confederação brasileira da modalidade (CBHb).

 

A campanha brasileira na competição foi de quase 100%. Na primeira etapa, pelo grupo A, venceu a República Tcheca, o Japão e empatou com a Croácia e assumiu a liderança do grupo. Dos gols contra a Croácia, dois saíram das mãos da ponta direita e canhota Dayane.

 

A equipe verde e amarela ganhou na semifinal da Polônia por 29 a 27 e conquistou a vaga para a final. Do outro lado da chave o Japão venceu a Coreia do Sul por 28 a 21. 

O Brasil pegou na final o time oriental novamente e perdeu. Dos 19 gols contra o Japão, a são-carlense anotou um.

 

A ponta direita Dayane Ellen jogou contra Croácia e Japão e teve aproveitamento de 75% e 100%, respectivamente. E teve quatro chances de deixar sua marca dentro das quatro linhas, convertendo em três gols.

 

“Ser campeã mundial é uma sensação indescritível, um sentimento fora do comum, resultado de  trabalho de muitos anos lutando por um esporte pouco valorizado. Valeu apena sonhar e não desistir do que mais amo fazer”, disse Dayane, que defende hoje o Cascavel FAG (Paraná), que é a atual campeão da competição nacional Liga Desportiva Universitária (LDU).

 

A imagem de Dayane segurando a bandeira do Brasil esconde o drama que viveu para ser convocada para a competição internacional.

As seletivas para o Mundial universitário aconteceram em junho deste ano, no Centro Fag, quadra do Cascavel. A primeira fase durou uma semana e várias atletas dos quatro cantos do Brasil participaram. No mês de julho, próximo a segunda fase de testes, saiu o resultado e na convocação não tinha o nome de Dayane. 

 

A atleta ligou para a mãe, a enfermeira Débora, aos prantos. A mesma a consolou pedindo para confiar em Deus. Após alguns dias, uma das atletas selecionadas, também canhota, não estava com os documentos em dia e Dayane, que era a próxima da lista, foi convocada. 

 

 

“Fiquei bastante chateada, liguei para a minha mãe abalada e chorando, porque estava me preparando desde as férias para aquele momento e quando chegou a hora não fui selecionada. Minha mãe falou que era para eu não ficar triste, que era para esperar porque Deus iria me honrar. Quando faltaram alguns dias para a segunda fase do teste, o Neudi Zenatti  (técnico) me ligou no final de semana perguntando se meu passaporte estava em dia porque eu iria para o mundial”, lembrou.

 

“Quando descobri, fiquei sem chão, chorei muito, sem reação fiz uma chamada de vídeo para minha mãe, que na ocasião estava dentro do carro indo trabalhar. Ela começou a chorar junto comigo, dizendo que o impossível tinha acontecido. Aprendi que quando a vitória é para ser minha vai ser minha e não há homem que tire”, acrescentou.

 

Dayane disse apesar da derrota, o vice-campeonato é considerado uma vitória.

 

“Espero que minha história motive muitas pessoas a jamais desistirem dos seus sonhos. Para mim parecia quase impossível. E por detalhes pequenos perdemos o ouro, mas o que nos definiu nesse mundial é que somos um time de muita garra, raça e determinação”.

 

 

 

 

História

 

A atleta de Dayane Ellen começou a jogar handebol aos 12 anos. O professor Toni da escola Antônio Militão de Lima indicou Dayane para o time de São Carlos, treinado por Valdir Barbosa e Helton Azevedo.

Dayane começou a dar os primeiros passos, participando de várias competições, como Jogos Regionais, Jogos Abertos, dentre outros. Com o destaque, teve a oportunidade de jogar no Itapevi, comando pelo técnico Danilo Vaz, onde recebeu incentivo, teve a oportunidade de aprender mais sobre questões técnicas e participou da Liga Nacional de Handebol, ficando em 3º lugar.

 

Após esse período, Dayane, com 21 anos, se afastou das quadras por dois anos por frustração pessoal e começou a trabalhar de operadora de caixa e de frios no supermercado Extra, do Centro.

 

Em janeiro de 2015 voltou para o esporte defendendo a camisa do time de Franca. Pelo time ficou dois anos disputando o campeonato Paulista.

 

Em 2017 uma conhecida de uma amiga indicou para a equipe da cidade de Cascavel (Paraná), equipe tradicional do sul que oferece melhor estrutura para atletas.

 

Dayane conversou com o técnico Neudi Zenatti (mesmo técnico do mundial da Croácia) e acertou a ida para o time.

 

Este segundo é o segundo ano da atleta no elenco. Ela diz que a proposta de vestir a camisa do time veio acompanhado de benefícios, que trouxeram outras conquistas.

 

“O que mais me motivou a ir pra outro estado quando já estava pensando em parar de jogar foram os estudos. Tenho uma bolsa de faculdade de 100% para estudar educação física, licenciatura e bacharel. No time fui campeã da Liga Desportiva Universitária, em Recife (PE) e  tornou o sonho de jogar na seleção realidade”.

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