Cultura

“Misturando Estações” encanta e revela necessidade de apoio para talentos locais

Música

“Misturando Estações” encanta e revela necessidade de apoio para talentos locais

Cirilo Braga

Um notável trio de cantores aclamado pelo público não só deu conta do recado no palco do Teatro Municipal de São Carlos, ao passear por vários estilos com o auxílio luxuoso de uma banda formada por instrumentistas talentosos, como veio provar a vitalidade da cena musical de São Carlos.

Rodrigo Zanc, Regina Dias e André de Souza cantaram juntos e também separadamente no espetáculo “Misturando Estações” em sua mais recente edição, oferecendo a quem assistiu um exemplo da vasta beleza da música popular brasileira.

De No Rancho Fundo (Ary Barroso /Lamartine Babo) à Bandeira do Divino (Ivan Lins), passando por Trilhos Urbanos (Caetano Veloso), Gostoso Demais (Dominguinhos), Amor de Índio (Beto Guedes), Casinha Branca (Gilson Vieira da Silva), O Trem Azul (Lô Borges/Ronaldo Bastos e outras joias da MPB. Ao lado de Ricieri Nascimento (baixo e voz), Bruno Bernini (bateria), Murilo Barbosa (teclado) e Thiago Carreri (guitarra), o que Regina, Zanc e André apresentaram em contraponto ao nome do show, foi uma sintonia fina de estilos que se amalgamam. O cancioneiro de nosso país produz essa maravilha e permite reconhecer os acordes mesmo daquelas  canções ouvidas pela primeira vez. Nas vozes de cantores de timbre semelhante, as letras soam como a continuação de músicas já guardadas na memória. Fruto, diga-se, de uma cuidadosa  escolha de repertório, de uma produção musical apurada e da sintonia dos intérpretes que se divertem no palco.

Não é de hoje, afinal, que cada um deles pôs o pé na profissão de tocar um instrumento e de cantar. Ali estavam Regina Dias de “Hamilton e Seus Estados”, dos festivais, de projetos musicais consistentes; o Rodrigo Zanc, mestre da viola caipira e do Coral “Quatro Cantos”, cantor e compositor aclamado na seara regional; e o afinadíssimo André de Souza, músico, vocalista e compositor do primeiro time. Se mais não se pudesse falar deles, bastaria citar seus trabalhos solos, já gravados: “Fantástico Urbano” e “Rasante” (Regina), “Fruto da Lida” e “Pendenga” (Zanc) e “Bola pra frente” (André, também participante dos CDs Terra Nativa e Mostra Geral, do Grupo Mandinga).

Com o prodígio de nos colocar em sintonia com esses talentos do interior paulista, as “estações” a que alude o título do espetáculo, quando misturadas – ao contrário do cruzamento das faixas de frequência do rádio – estabelecem uma harmonia, reinventam canções e premiam quem tem o sortilégio de ouvi-los. Quando entoaram juntos “Abre alas pra minha folia”, os artistas já antecipavam os agradecimentos aos apoiadores do espetáculo, a Prefeitura, entidades associativas e estabelecimentos do comércio e serviços, que merecem registro.

Apoiar artistas locais e regionais, infelizmente está distante de ser uma prática corriqueira na cidade que possui longa tradição na cultura e nas artes. “Misturando Estações” é um projeto musical que já está na terceira edição, fruto do esforço quase quixotesco dos artistas envolvidos. O primeiro foi realizado já há onze anos, o segundo teve participação do Tarja Preta (Rock), Neto Rockfeller (Blues), Gabi Milino (alternativo), Mih Marchetti (Pop), Regina Dias (MPB) e Rodrigo Zanc (Regional).

Algo para estar no radar dos articuladores de arte e cultura do setor público e também de investidores privados com interesse em valorizar sua marca ao patrocinar eventos identificados com a tradição histórica da “Capital do Conhecimento”.

Quem sabe um dia os muitos talentos musicais da cidade e região possam ter o seu valor devidamente reconhecido pelos governantes - como já é pelo público – para que o apoio aconteça de forma natural e  espetáculos sejam inseridos na programação cultural de São Carlos e disponibilizados ao público. . Algo do tipo “virada cultural” são-carlense. Não é utopia.

Afinal, aí estão diante de nós tantos craques de todos os gêneros musicais que nem dá para citar um a um, tantos são eles.  Gente de Talento que em qualquer parte do mundo civilizado seria – e é – recebida de braços e ouvidos bem abertos. Em sua própria terra também há de ser.

 

Legenda

Regina Dias, Rodrigo Zanc e André de Souza no Teatro: Música de qualidade que merece apoio da cidade  (Foto: Glorinha Saratt)

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