Artigo

Coluna Onda Esportiva: Até quando, CBF?

Olavo Villas Boas

 

O recente escárnio que vem sendo feito com os clubes brasileiros na Libertadores está revoltando todas as torcidas, que assim como o público em geral, não veem uma esperança de solução para isso.

 

Tendo em vista o contexto social, político (termo recorrente nos bastidores do futebol) e econômico, é perfeitamente possível traçar um paralelo entre o momento do país dentro e fora de campo; os fundamentos são os mesmos.

A solução proposta por muitos para solucionar essa suposta "retaliação" aos clubes brasileiros na Libertadores tem como base a união dos clubes, respaldados pela CBF (o que se transforma em utopia), em busca de mais representatividade na CONMEBOL, mais força política e quem sabe, mais, digamos assim, influência.

 

Pessoas mais radicais pedem um boicote à competição, que os clubes brasileiros se retirem do torneio, em forma de protesto, o que prejudicaria muito a organização, ainda mais após a entidade máxima do continente aumentar o número de vagas para os clubes do Brasil na competição, justamente por serem uns dos maiores (se não, os) expoentes da trama do jogo.

 

A revolta é perfeitamente compreensível, vinda de todos que se emocionam e vivem o futebol. Quanto a essa edição, com punições bizarras, que externam o nível de mediocridade encontrado em vários aspectos da velha taça, em especial (coração à parte), a torcida do Santos, que viu o Alvinegro ser ridiculamente punido pela escalação de um jogador que em tese estaria "irregular", mas que, ao se consultar o Comet, a informação seria discrepante.

Dias depois, na partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, a expulsão medonha, com auxílio do controverso árbitro de vídeo, o VAR, do zagueiro Dedé, põe mais lenha na fogueira da raiva e da sensação de impotência diante da situação para o torcedor, que ainda assim, profana coisas como:

"Não é meu time, não tem problema";

"Contra o Time X, pode roubar, eles não prestam";

"Mimimi, o choro é livre"!

 

Até o dia em que acontece com o time do seu coração.

Esse é um dos fragmentos do torcedor que refletem no cidadão, que não pratica a empatia, que não se solidariza com quem vem sendo escorraçado na sociedade, que não devolve o troco a mais, que não se importa com o garoto passando fome na rua pois não é o filho dele, que não liga para seus representantes que acharcam a sociedade e extraem o máximo que podem dos benefícios merecidos do trabalhador.

 

Algumas pessoas vão se mobilizando para mudar isso, sempre em minoria, tentando brigar, representando sempre o que a maioria tem vontade, mas não se mobiliza para buscar.

Será que uma mobilização de torcidas inflamadas pela paixão ao jogo poderia mudar esse panorama?

 

Será que um dia pode haver algum Martin Luther King, ou Mandela, ou qualquer outro revolucionário, que consiga brigar sendo apoiado pela maioria em busca do bem comum?

 

Será que o momento atual do futebol, as situações dos times poderiam ser comparadas às situações do povo brasileiro?

Será que a revolta do torcedor pode ser uma indireta que acenda a revolta do cidadão?

Afinal, o torcedor e o cidadão, sempre, serão a mesma pessoa. A reflexão é válida.

 

 

*O programa Onda Esportiva vai ao ar todas as quartas-feiras, às 20h, na Rádio UFSCar (95,3 FM). Curta nossa página no Face: www.facebook.com/ondaesportiva

 

Legenda para a foto: Dedé foi expulso de forma injusta no jogo contra o Boca Juniors

Créditos: Agustin Marcarian/Reuters

 

Galeria

Comentários

Publicidades

Mais Vistas

1

Cirurgia será transmitida em tempo real, via internet, do Centro Cirúrgico da Santa Casa

2

Liquidação Fantástica levará milhões de pessoas ao Magazine Luiza nesta sexta-feira

3

Bolsonaro amanhece com batom, maquiagem, brincos e colares em outdoor em São Carlos

4

Novo Golf produzido no México começa a chegar às concessionárias Volkswagen no Brasil

5

Advogado é o primeiro deficiente visual a receber carteira da OAB em São Carlos